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Entrevista com MC Gi

MC Gi estará em Belo Horizonte nesse sábado, dia 23, para se apresentar na @bsurda (clique aqui parea saber mais). Ela, que foi finalista do concurso para nova vocalista do Bonde do Rolê, vem chamando bastante atenção de produtores brasileiros e gringos como South Rakkas Crew (L.A), 3 Is A Crowd (Itália), Art Punk (Canadá), BSBTRGDCLUB e Comrade (NY). MC Gi tem como meta mostrar o funk como cultura brasileira. Hum! Leia a entrevista que Rafael Sandim, que também tocará na festa, fez com a moça.

Como começou o seu envolvimento com o funk?
Comecei a escutar no 1° colegial. Eu era uma das únicas com camiseta de banda na escola. Usava uma do Nirvana, que eu gosto muito por sinal. O pessoal começou a me mostrar, curti bastante e parei de ter o preconceito bobo que muita gente ainda tem.

Você já planejava se tornar uma cantora de funk quando começou a trabalhar como isso?
Não (risos). Foi a convite de um amigo meu, MC Thales, que aceitei gravar minha composição de “Funk do Mosquito”. Não imaginava que a resposta seria tão boa. Escrevi a música em uma brincadeira, não pensei em gravá-la.

O seu público é muito diferente ou existe um perfil?
Não rotulo meu público, porque tem muita gente diferente que escuta. As casas que canto sim. A maioria delas é alternativa ou GLS e adoro isso, pois o público frequentador é super fiel e me trata com muito carinho. Acho muito legal, porque o povo se mistura, têm muito casal hétero que vai me assistir numa balada GLS e não se incomoda em momento algum. A música une todos sem que haja discriminação.

Como você compõe as músicas?
A inspiração vem quando eu menos espero, pode ser um assunto em debate numa roda de amigos ou em uma matéria que esteja nos jornais naquela semana. Basta me chamar a atenção e eu notar que desperta interesse nas pessoas que eu componho.

Existe diferença do funk de Santos para o do Rio de Janeiro?
Existe uma diferença sim. No funk do RJ é mais fácil encontrar musicas com outro conteúdo, sem serem apenas de cunho social. Já na Baixada Santista não é tão comum, as letras são mais sérias, falam da realidade nas comunidades.

Quais são seus cantores favoritos?
Eu ouço muita coisa de diferentes estilos. Tem gente que nem acredita no meu gosto musical tão variado (risos). Mais aproximado ao meu estilo gosto da M.I.A. Aqui no Brasil, respeito a Deize Tigrona. Ouço de Nirvana a MR Catra, aprendi que preconceito musical não leva a nada.

Que músicas que as pessoas mais pedem para tocar?
Não podem faltar “Mexico Caliente”, “Tamanho é Documento”, “Quer Romance” e “Origami”.

Quais são suas expectativas para o show na @bsurda?
As melhores possíveis! Tem muita gente comentando, gente que foi me assistir da primeira vez e que irá novamente, pessoas que me conhecem há menos tempo e estão super empolgadas. Não tenho dúvidas de que será INCRÍVEL!

Entrevista com o artista plástico Fernando Carpaneda

Fernando Carpaneda é um artista plástico que retrata garotos de programa, punks e marginais. A técnica dele é argila e ele sempre usa também algo que tenha conexão com a pessoa retratada – de pontas de cigarros a latas de cervejas. Ele acredita que o gay brasileiro não é respeitado pela sociedade por culpa da TV, que só explora o lado caricato dessa orientação sexual. Por isso, suas esculturas chocam  as pessoas ao mostrar homens fortes amando outros homens, pois o estereótipo que elas conhecem não é aquele – e sim o da bicha afeminada e fofoqueira.

Muitas de suas aventuras (e desventuras) estão narradas em seu livro independente “O Anjo de Butes – Uma Vida de Tintas, Sexo e Rock N Roll”, que conta sua vida desde a adolescência até uma de suas exposições mais especiais em Nova York, no CBGB. A obra não é muito fácil de achar, mas também não é impossível – há na web e, aqui em Belo Horizonte, eu comprei na Quina Galeria. O livro tem 240 páginas e é ilustrado com 26 reproduções de obras. As páginas narram, além de viagens e descobertas artísticas, sua vida sexual – com direito a um intrigante triângulo amoroso envolvendo uma mulher chamada Cassandra e o personagem que dá título ao livro. Depois de ler tudo, li também outras entrevistas e fiquei fascinado com a história dos bastidores das obras do cara e curioso com outras coisas. E, ao invés de apenas mandar algumas das minhas dúvidas por e-mail, resolvi fazer uma entrevista para o blog.

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Entrevista com Luiza Salazar, autora de “Os Sete Selos”

A escritora mineira Luiza Salazar acaba de lançar seu livro “Os Sete Selos”, pela editora Underworld. A ficção narra a vida de Lara Carver, uma jovem de 21 anos que trabalha para a Agência, um local especializado em estudar, localizar e conter fenômenos paranormais. E a moça sai completamente de sua rotina por causa de um evento inesperado além de qualquer coisa que a Agência já enfrentou.

Conversei com ela sobre o lançamento e descobri coisas bem interessantes – especialmente para quem gosta de YA ou/e está querendo escrever sua própria história.

Dizem que primeiros livros tendem a ter muito da biografia dos autores. Essa é sua primeira publicação, mas não é seu primeiro livro. Ainda há um pouco disso no texto?
Meu primeiro livro escrito foi bem o tipo de história que eu gostaria de viver eu acho, então pode se dizer que tem um pouco de biografia, mas em “Os Sete Selos” eu realmente não vejo nada que possa ser relacionado com quem eu sou. Teve um autor que disse “escreva o livro que você gostaria de ler”. E foi isso que eu fiz.

E o que inspira seus textos?
Hum, essa coisa de inspiração é complicada. Não acho que nenhum livro ou filme tenha me influenciado diretamente, mas eu certamente tenho referências que eu nem mesmo percebi que peguei. A única referência direta para “Os Sete Selos” foi a Bíblia, que eu li várias vezes para o pano de fundo da história. Mas é fato que quando estou lendo, independente do gênero, eu escrevo melhor.

Quanto tempo levou para escrever “Os Sete Selos”, como foi a rotina?
Levou mais ou menos um ano e meio, desde o primeiro rascunho até a revisão final. Como eu trabalhava e estudava foi meio complicado achar tempo pra escrever, eu tive bloqueios de mais de um mês de não conseguir escrever uma palavra e tal, mas até que o andamento da história foi bom. Minha rotina pra escrever é basicamente anotar as ideias que eu tenho no papel e ir desenvolvendo cada uma aos poucos. Mas eu preciso sentar e me obrigar a escrever, se não não sai nada!

E que outros livros YA você tem como favoritos?
Hum, YA eu diria que a série “His Dark Materials”, de “Bússola de Ouro”, a série “Mortal Instruments”, a série “Hunger Games” e a trilogia Abhorsen. Tem outros, mas acho que esses são meus favoritos.

O próximo livro não é uma continuação, certo? É sobre o quê?
Não. O próximo livro se chama “BIOS”, já está com a editora e será lançado na Bienal do Rio de 2011, em setembro. É uma ficção futurística, bem diferente de “Os Sete Selos”, mas ainda YA. Eu espero poder voltar do Canadá – onde estou indo estudar artes visuais – para o lançamento.

Mas dá para continuar a história de “Os Sete Selos” ou não?
Dá sim. Eu tenho uma ideia de continuação que acho que ficaria bem legal e pretendo fazer, mas não quero colocar prazos. Estou atualmente trabalhando no que eu espero que seja minha primeira série, então fica complicado falar de uma continuação no momento, mas está nos meus planos!

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Entrevista com a one man band de Iguan White!

O alter-ego de Henrique Frederico, Iguan White, saiu de Tiros-MG levando seu rock primitivo e o faça você mesmo de sua one man band para o mundo. Com dois trabalhos lançados, um terceiro previsto para agosto, shows até pela internet e um curta metragem de faroeste, o Oi, tudo em cima? conversou com o líder e único membro desse projeto. O que o enigmático Iguan White tem a dizer você confere abaixo:

Quem é Iguan White?
Iguan White é um andarilho e defensor/colaborador da música primitiva não popular e concreta. Nascido na cidade de Tiros, no interior de Minas Gerais, Iguan White encontrou, desde bebê, a música como pergunta e resposta e fez dela sua filosofia.

Após intensos anos e muitos discos ouvidos, percebeu que a forma mais agressiva e personificada de se expressar era através de si mesmo e mais ninguém. Nisso juntou a harmonia da guitarra, uma melodia desafinada cantada – seja com sotaque do sul dos EUA ou um sotaque típico das Minas Gerais – e se fez completo com um bumbo e uma caixa em cada um dos pés. Tudo isso junto e ao mesmo tempo, inspirado de forma íntegra e literal no DIY (faça você mesmo).

Esse é Iguan White, surgido em 2007, com dois trabalhos lançados: um LP virtual (“Volume Zero”) e também um EP compacto de 7 polegadas (Three-Way Handshake), ambos em 2008. O rock primitivo de Iguan White pode ser interpretado de diversas formas, seja como garage rock, punk rock, pitadas de country e até blues. Isso cabe ao ouvinte apreciador (ou não) da música.

Como você entrou no mundo das one man bands?
Após gravar as primeiras canções no próprio quarto (o que ainda é feito), utilizei das mídias sociais para divulgação. Neste campo conheci muitos amigos, gravadoras e claro, muitas one man bands. Dentre esses contatos, Fernando (Thee Undead Big Blues Shit) de Curitiba e Du (vocal/guitarra da SuperDuo) de São Paulo foram os que mais me apoiaram inicialmente.

Junto aos contatos já formados, novas one man bands – conhecidas no Brasil como monobandas – surgiram, e as que já existiam resolveram criar a ABM (Associação Brasileira de Monobandas), responsavel por unir todos os músicos solitários, seja com divulgação de cada trabalho ou em turnê.

Você lançou um álbum através de uma gravadora indie internacional. Como foi o contato com gente de fora? Como foi o processo?
Foi surpreendente. Como disse, com as mídias sociai, adquiri contato com diversas gravadoras. O Roland, dono da Squoodge Records, da Áustria me convidou para lançar um trabalho com músicas inéditas. Em duas semanas terminei três músicas e enviei pela internet normalmente. As músicas foram prensadas em 100 unidades no formato vinil de 7 polegadas. Das 100 prensadas, 20 foram encaminhadas para mim e o restante foi distribuído gratuitamente por toda Europa. A repercussão foi incrível, sempre aparecia um ou outro novo contato vindo da Europa dizendo que possui o disco e gostou.

Você também faz shows online. A resposta é boa? É a opção ideal para tornar um trabalho independente conhecido?
Os shows online começaram como brincadeira e estão cada dia mais interessantes. Muitos têm interesse em poder acompanhar um show ao vivo e não tem oportunidade. Logo, porque não deixar que acompanhem direto de casa? A resposta e interatividade é muito boa, também a divulgação. É um complemento, uma opção de ação de uma banda, mas não é a principal maneira para divulgar, uma vez que é preciso público. É algo bem atual, ainda precisa da total sintonia de um determinado publico alvo.

E os shows ao vivo? É melhor do que fazer online?
Os shows online são interessantes, mas é algo virtual, você vê a reação das pessoas pelos textos enviados. Um show ao vivo para um público apreciador é algo muito mais intenso e único. A sintonia/interação entre público e banda é real.

Qual a sua one man band favorita? E quais são as principais influências do trabalho de Iguan White?
A minha one man band preferida é a J.Marinelli, por ser uma das primeiras que descobri e por ter grandes semelhanças quanto às minhas influências, que são bastante variadas, como Calvin Johnson, Wire, Billy Childish, Hasil Adkins, The Stooges, Ramones, BBQ, Whirlwind Heat, Cólera, The Adicts, 365, The Vibrators, Mike Long, Ennio Morricone, DZK, Mudhoney, Fogo Cruzado, Sonic Youth, Psykoze, Dead Elvis & His One Man Grave…

Entrevista com Jen, do “Cake Wreck”

Conhecida na web apenas como Jen, ela é a mente por trás do Cake Wreck, um dos sites que a gente mais curte. Ele reúne fotos de bolos mal feitos por confeitarias profissionais e os resultados são, geralmente, hilários. Muito fofa, ela conversou com a gente sobre a ideia do site, sobre o trabalho que ele dá e até escolheu suas fotos favoritas. Confira!

Onde você mora e o que faz da vida?
Eu moro em Orlando, na Flórida, e hoje eu vivo do blog. Loucura, não? Antes do Cake Wreck, eu ajudava meu marido, John, na nossa loja de tinta. Mas, desde que a crise econômica fez nosso negócio enfraquecer, é ele quem trabalha para mim agora. O que é ótimo!

E de onde veio a ideia do site?
O primeiro post de todos foi enviado por uma amiga. Imediatamente pensei que seria uma boa ideia para um blog, mas nunca tinha blogado antes. Então, comecei como um hobby, para minha própria diversão. Não imaginei que ia despertar tanto interesse.

– Lembranças Suzanne e embaixo disso sentiremos sua falta

E hoje você recebe quantas fotos?
Recebo por volta de 50 fotos por dia, são realmente muitas!

Alguém te ajuda na seleção delas?
Minha cunhada, Anne-Marie, me ajuda basicamente a catalogá-las, mas ultimamente eu escolho o que postar sozinha. Não tenho nenhum critério especial, posto o que tiver me feito rir naquele dia.

E quando você começou a perceber o tamanho que o site tinha tomado?
Cerca de dois meses após o início dos posts, Digg e Reddit mencionaram o blog e aí saí de 200 leitores para mais de 100 mil. Fiquei em choque, mas foi a primeira vez que percebi que esse lance de bolos podia dar certo à longo prazo.

E você tem um “cake wreck” favorito?
Puxa, tenho muitos favoritos! Mas posso escolher uma história favorita: a do pen-drive! Essa é aquela em que um cliente queria uma foto impressa no topo do bolo. Ele entregou o pen-drive onde tinha salvado a foto e, na verdade, a confeitaria desenhou o pen-drive na cobertura! Muito, muito engraçado! Eu me diverti bastante escrevendo o diálogo nesse post.

Entrevista com Márcia Tiburi

Márcia Tiburi é graduada em filosofia e artes e mestre e doutora em filosofia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Escreveu vários livros de filosofia e também dois romances dentro do que ela chamada de Trilogia Íntima. A primeira parte, “Magnólia”, foi finalista do prêmio de literatura Jabuti em 2006. É também professora, colunista de revistas e integrante do programa “Saia Justa”, do canal GNT, que acaba de entrar numa pausa sem hora para voltar.

Os dois primeiros volumes da trilogia falam de mulheres. Mas qual a diferença?

“Magnólia” é a história de uma mulher que se encontra com ela mesma. E isso acontece, por exemplo, se olhando no espelho, talvez descobrindo uma memória perdida ou tendo que enfrentar seus próprios botões. Enfim, você enfrenta algo que é a sua própria fantasmagoria. É um romance um pouco solipsista, de auto-encontro com aquilo que o sujeito tem de enganação de si. Pois ele é o que ele é, o que ele não sabe que é e o que ele não é. Então há esse jogo de descoberta do dentro e do fora, por um personagem. E “A Mulher de Costas” é uma história de uma mulher que se encontra consigo mesma, que ao invés de se enfrentar com um espelho se enfrenta com um deserto. Enquanto “Magnólia” fica dentro de casa, abre uma gaveta e faz uma viagem pelo jardim pra depois poder voltar – e atravessar com isso vários infernos –, “A Mulher de Costas” é uma mulher que simplesmente faz uma travessia de um deserto para outro deserto. É a história de uma princesa moura encantada, que faz parte da mitologia gaúcha, que é a lenda da salamanca do Jarau, que eu conto da minha maneira.

E porque Trilogia Íntima?

Eu comecei a escrever essas histórias todas ao mesmo tempo, tanto “Magnólia”, “A Mulher de Costas” e “O Manto” – que ainda estou escrevendo. E “íntimo” pois queria falar desse solipsismo, dessa convivência e auto-experimentação. O íntimo é essa convivência. A busca solitária e a descoberta. Mas acho que o que tem de meu, tem de universal. As pessoas que leram e me deram retorno, conseguiram entrar nessa viagem. Pois não é uma viagem minha que eu dou a elas, mas uma proporcionada aos leitores através dos personagens.

São histórias independentes, porque estão na mesma trilogia?

Sim, são livros independentes, mas estão interconectados, há integração entre eles. O que não tem é uma linearidade. Não há uma cronologia que explica “Magnólia” como primeira história e supostamente uma tese, aí “A Mulher de Costas” como antítese e depois “O Manto” como uma síntese. É o contrário! O que tem de comum entre as três é essa experiência de entrega ao mesmo e ao outro e a tentativa de compreensão dessa Banda de Möbius, desses dois lados de uma mesma moeda – onde cada lado é um lado mas compõem um mesmo elemento. Relato ou novela não é uma coisa que eu estou atrás de fazer. Respeito quem faz, claro, mas não é o que eu faço.

E a sua filosofia está aparecendo nesses romances?

Acho que é a linguagem que aparece na literatura. A filosofia está incorporada em mim e faz parte do meu vocabulário e as questões que estão entranhadas, visceradas, também. Mas eu não tenho um projeto literário à base da razão, ao contrário, eu me interesso por tudo aquilo que foi catalogado por todos os gêneros da literatura. Eu acho que o exercício literário é a sua chance de esquizofrenia (risos). Esquizofrenia para o bem!

Como é escrever sobre filosofia atualmente?

A filosofia se tornou importante no Brasil, que está aprendendo a democracia. Na ditadura não havia espaço para pensamento livre e é natural que agora a filosofia entre na moda. E tomara que de fato as pessoas se envolvam em reflexões críticas na política, no cotidiano, na responsabilidade ética.

Mas há espaço para ela no mundo da informação instantânea?

A atenção no próprio pensamento nos torna filósofos do mundo da informação instantânea. O que a filosofia deve fazer é recolocar a atenção que nos é arrancada pelos meios de comunicação no lugar dessa atenção. E, ao meu ver, também mostrar como é o olhar vagaroso sobre as coisas.

Você acha que a filosofia está mais acessível às pessoas?

Há sim uma vontade das editoras, dos meios de comunicação, da própria esfera culta da sociedade, talvez de uma classe média um pouco mais esclarecida que gosta de cinema e literatura e vai gostar também de filosofia. Mas ainda não dá pra fazer muita festa porque o trabalhador explorado, além de estar excluído do jornal ou da internet, não tem dinheiro para livro nenhum e não está lendo nada. Mas há sim uma vontade de abertura à filosofia por parte das classes lúcidas, que tenta recolocar parâmetros e rever posicionamentos práticos.

Como tem sido a resposta para a tentativa de levar filosofia para a TV, com o “Saia Justa”?

Um pouco de informação erudita sempre é possível. E esse programa tem um formato, em si mesmo, filosófico. Pois ele é um fórum de mulheres emitindo opiniões. Mais ou menos fundamentadas. É isso que me anima em fazer esse programa: são pessoas diferentes que se propõem a conversar em torno de temas tentando construir um diálogo. Acho que as mulheres foram proibidas de falar ao longo da história da humanidade, então vejo esse programa como um oásis no seio da sociedade patriarcal.

O programa é muito criticado por falar demais de sexo…

É um programa de TV com todos os defeitos que os programas de TV têm. Mas é que no Brasil se faz muito sexo, há muita pornografia, mas na hora de falar sério sobre o assunto parece que você está cometendo uma heresia. Educação sexual, por exemplo, no Brasil é inexistente. Mas a gente discute também esse cinismo que a gente vive. Sobre política, questões de ética – no sentido de comportamento. Mas é um programa de fala aberta então há muita interferência. E a TV, pela falta de tempo e necessidade de linearidade, limita muito.

É verdade que você está escrevendo uma autobiografia?

Sim. Começou como um romance em 1998 e eu escrevo e reescrevo, reescrevo. Por que o mais difícil é reconstruir a memória de sua infância. Aliás, se tem alguma coisa boa de se falar da vida de alguém, a meu ver, é a infância, pois o resto é a vida besta de todo mundo. A vida minha e sua que diferença vai ter? Que grandes feitos são tão importantes na vida de alguém para que ele acha que pode contar? Não sei. Mas é que minha vontade é de conseguir memórias perdidas do tempo em que a vida era pura poesia. E no lembrar você vai imaginando coisas, mas eu me divirto com o descortinar desse passado.

Entrevista com Marcelo Tas!

Nosso blog amigo Tudo em Geral fez uma entrevista bem legal com Marcelo Tas quando ele esteve em Belo Horizonte para dar uma palestra sobre redes sociais e para lançar o livro “Nunca Antes na História Desse País”, que reúne frases marcantes ou engraçadas do presidente Lula.

A palestra foi ótima e super divertida e o cara ainda tratou bem todo mundo que ficou horas na fila para autógrafos e/ou tirar foto. Leia a primeira pergunta:

Você foi um dos primeiros a ter um blog no Brasil. Naquela época você já imaginava a projeção que os blogs teriam num futuro não tão distante?

Eu já imaginava tudo (risos). Olha, não. Mas eu tive uma experiência muito precoce com internet, por ter morado fora do Brasil na década de 80. Tive um contato com a web na Universidade de Nova York, com chats, e também na Universidade da Califórnia. Isso, nos anos 80, era praticamente como tomar uma droga que ninguém tinha tomado ainda. Por isso, quando chegaram as ferramentas [no Brasil], eu já estava meio que esperando aquela hora. Meu primeiro blog foi na TV Cultura, criando o blog do [programa] “Vitrine”. Eu sempre acreditei que a televisão precisava de uma orelha. A televisão é um veículo muito surdo, a TV só fala e não ouve ninguém. A gente usou o blog pra ouvir os telespectadores do “Vitrine”, e aí eu tive a certeza de que aquilo tinha vindo pra ficar na minha vida.

Legal, né? Ele falou mais de internet, jornalismo, CQC, Castelo Rá-Tim-Bum e até Telecurso 2000 durante o bate-papo.

Clique aqui para ler a mega entrevista na íntegra!

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