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“Vou Rifar Meu Coração”, dia 26, em BH!

Do João: O Palácio das Artes vai exibir na próxima segunda-feira, 26 de março, o documentário “Vou Rifar Meu Coração”, da cineasta carioca Ana Reiper. O filme apresenta um apanhado sobre o imaginário romântico, pornográfico e afetivo do brasileiro a partir da obra de cantores da música popular romântica, também conhecida como “brega”.

Por meio de histórias reais, a diretora constrói crônicas com amores e dramas de pessoas anônimas, que dialogam com canções de artistas como Agnaldo Timóteo, Waldik Soriano, Amado Batista e Wando. Entre os casos, Ana Reiper traz entrevistas com os cantores e compositores, compondo um verdadeiro panorama do brega nacional.

Com diversos prêmios em festivais de cinema pelo país, “Vou Rifar Meu Coração” entra oficialmente no circuito comercial de cinema no início de abril. Em Belo Horizonte, o filme será exibido em uma pré-estreia com a presença da diretora, às 19h no Cine Humberto Mauro, do Palácio das Artes. Entrada gratuita.

Confira o trailer do filme clicando aqui!

Serviço:
Filme: “Vou Rifar Meu Coração”
Dia: 26 de março
Horário: 19h
Local: Cine Humberto Mauro – Palácio das Artes
Entrada franca

“Varekai”: uma viagem fantástica aos primórdios do circo

Um Ícaro despenca do céu para o interior de um vulcão e descobre uma uma floresta onírica, habitada por criaturas extraordinárias que manipulam seus corpo, o fogo e a gravidade como se fossem simples brincadeiras. Nesse cenário, o jovem é levado a superar seus limites e o temor ao desconhecido em sua busca e, cada vez maior, vontade pela vida. Essa é trama de “Varekai”, o espetáculo criado e dirigido por Dominic Champagne, que o Cirque du Soleil traz a Belo Horizonte a partir desta quinta feira, 19 de janeiro.

A palavra “Varekai” significa “em qualquer lugar” na língua dos ciganos, os eternos nômades. Esse espetáculo é uma homenagem ao espírito errante, à alma e à arte do circo. No picadeiro, 58 artistas se revezam em malabarismos, danças, acrobacias e voos, além dos incrivelmente divertidos palhaços. O show tem quase 2h de duração e é dividido em dois atos por um intervalo de 30 minutos, mas a sensação que fica é a de tê-lo assistido em um só fólego.

As apresentações são explosivamente coreografadas à perfeição. Por mais que em alguns números não exista grande dificuldade em termos de técnica circense, o segredo do Cirque du Soleil é executar tudo combinado a efeitos, luzes, cenários e figurinos de tirar o fôlego. “Varekai” combina alta tecnologia a um resgate de números tradicionais nos primórdios do circense como os Jogos Icarianos, nos quais um corpo se torna uma catapulta de outro corpo em uma incrível demonstração de força, agilidade e equilíbrio cuidadosamente sincronizada.

Destaque para a primeira apresentação do espetáculo: o Voo de Ícaro. Uma rede faz as vezes de vários tipos de tecidos circenses e o personagem alterna figuras e quedas que simbolizam estar aprisionado e lutar até a liberdade. O artista se une ao aparelho de tal maneira que quase reincorpora as asas ao personagem Ícaro e o faz voar novamente por sobre o picadeiro. Também chamou minha atenção o número das Faixas Aéreas, no qual dois performers voam sobre a plateia suspensos pelos braços até encontrarem-se e fundirem seus movimentos em acrobacias e equilibrismos que quase os tornam um só.

Na capital mineira, o Cirque du Soleil fica até o dia 12 de fevereiro na Avenida Clóvis Salgado, ao lado da Toca da Raposa I, na Pampulha. Os ingressos vão de R$56 a R$585, variando de acordo com a localização do assento. O picadeiro, porém, é projetado para oferecer uma ótima experiência independentemente do setor escolhido.

(texto de João Henrique Eugênio)

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Goya ganha exposição e seminários gratuitos em BH

Entre os dias 4 e 30 de outubro, Belo Horizonte recebe a arte do pintor e gravurista espanhol Franciso de Goya e Lucientes. A mostra é chamada “Los Caprichos de Goya” e traz 80 obras que integram a primeira série de gravuras produzidas pelo pintor, editada em 1799.

A exposição está montada no hall da Prefeitura de Belo Horizonte (Avenida Afonso Pena, 1212, Centro) e tem entrada franca. A visitação é de segunda a sexta, das 9h às 19h; sábados das 10 às 13h.

Por questionarem os valores da sociedade da época, as peças foram mal recebidas e acabaram sendo retiradas do mercado pelo Tribunal da Inquisição da Igreja Católica. As gravuras trazem imagens de prostituição, de crueldade materna, da gula dos frades, do matrimônio por conveniência e das crises familiares – as coisas não mudaram tanto, afinal, não é?

O material apresentado em Belo Horizonte pertence ao Instituto Cervantes e foi estampado para uma primeira exibição em Sevilha no ano de 1929. A mostra já esteve em Brasília, Recife, Rio de Janeiro e, depois daqui, será montada em Salvador.

Para compor a exposição também serão realizados dois seminários: o primeiro, sobre a arte de Goya, será conduzido pela professora de História da Arte da PUC Minas e coordenadora do Inventário do Patrimônio Cultural da Arquidiocese de Belo Horizonte, Mônica Eustáquio Fonseca, no dia 18 de outubro, às 19h.

No dia 20, também às 19h, o tema será “Goya e o Cinema”, exposto por Marta Ruiz Espinós, especialista em relações internacionais, diplomacia cultural e gestão cultural pela Universidade Complutense de Madri e pela Universidade Paris-Sorbonne.

Os seminários serão realizados no auditório da PBH e também têm entrada franca.

(via João)

“Quijote” chega a BH em apresentação gratuita

Baseado no romance “Dom Quixote”, de Miguel de Cervantes, o espetáculo “Quijote”, obra-prima da companhia espanhola Bambalina Teatre Practicable, chega a Belo Horizonte nesta sexta-feira, 8 de julho, em uma única e gratuita apresentação no Centro de Cultura de Belo Horizonte (rua da Bahia, 1149).

A companhia Bambalina usa jogos de luzes e sombras, música original e dois sacerdotes marionetistas – vividos pelos atores Àngel Fígols e David Duran – que comandam diversos bonecos para criar um Dom Quixote de La Mancha mudo, mas eloquente, gótico, goyesco e expressionista. Com roteiro de Jaume Policarpo e direção de Carles Alfaro, o espetáculo apresenta o enlouquecer do mais famoso cavaleiro errante do mundo, desde quando lia obsessivamente até sua jornada em busca da amada Dulcineia. Através de episódios, como a batalha contra moinhos de vento, o espetáculo mostra como Quixote vai mesclando realidade e ficção até se ver humilhado para todos a sua volta e vencido por seu próprios demônios.

“Quijote” circula pelos palcos do mundo desde 1992, tendo sido apresentada em mais de 10 países. A peça chega ao Brasil por meio de uma parceria entre o Instituto Cervantes e a Fundação Municipal de Cultura de BH.

Evento: “Quijote” – Cia. Bambalina Teatro (Espanha)
Data: Sexta-feira, 8 de julho
Horário: 20h
Local: Centro de Cultura de Belo Horizonte (CCBH) – Rua da Bahia, 1149, esquina com Av. Augusto de Lima
Entrada franca
*Os ingressos serão distribuídos com meia hora de antecedência. Sujeito à lotação do teatro.

(via João)

3 Momentos: Pixie Lott

Da Isabela: Quem nunca ouviu falar dessa moça está perdendo – e não é pouco. Trata-se de uma cantora inglesa que mistura pop, R&B e soul. Ela lançou o CD “Turn it Up” em 2009, assim que fechou um contrato com a gravadora Mercury. Depois disso, seu apelidinho de família se tornou nome artístico e hoje ela já é famosa em esferas muito diferentes da música. Não entendeu muito bem? Vem comigo que eu te explico no caminho…

“Mama Do”, 2009

O primeiro single do tal álbum foi “Mama Do (Uh Oh, Uh Oh)” e aposto que você deve ter ouvido em algum lugar e não está ligando o nome, pois passou batido no Brasil. Mas ele atingiu o topo UK Singles Chart e ganhou disco de prata no Reino Unido. O B-side do single? Cover de “Use Somebody”, do Kings of Leon (na mesma sessão, gravou “Poker Face” da Lady Gaga também!)

O clipe é bem bonito, mostra Pixie e umas amigas encontrando seus respectivos namorados, fazendo dancinhas e se divertindo antes de voltar para casa. Saca só a mãozinha durante o clipe: teve tanto fã perguntando como se faz os estalinhos que ela gravou um vídeo ensinando. Clique aqui para conferir o tutorial.

Depois do sucesso, ainda em 2009, ela escolhe “Boys and Girls” como segundo single. O clipe da música é bem festinha cool, bem “Just Dance” da Lady Gaga de 2008. A canção conseguiu bastante sucesso e não desanimou os fãs que curtiram o single anterior da moça e logo alcançou o primeiro lugar na parada UK Singles Chart, conseguindo – ainda bem – tirar o recorde da cantora Pink, que estava lançando “Sober”. Pixie deu o maior salto em uma semana, o single saiu da posição 73 para a 1ª.

“Cry Me Out”, 2009

Mais tarde teve a grande ideia de lançar um clipe para a tão merecida “Cry Me Out” (assista aqui). Por cima da letra triste e bonita, um clipe em preto e branco, bem clássico, mostrando até os passinhos de balé que ela praticava na infância. Tudo foi filmado em Cuba e dirigido pelo Jake Nava, diretor de clipes da Beyoncé, de Leona Lewis e da Shakira. A canção pode não ter atingido primeiro lugar em nada, mas ficou no Top 20 do UK Top Singles.

Começando 2010 bem, o quarto single, “Gravity”, foi lançado no Reino Unido em março. Nessa época, Lott ganhou dois EMAs, Best UK & Ireland Act e Melhor Artista Push. A canção foi seu pior desempenho nos charts britânicos, mas deu a Pixie seu quarto Top 20 consecutivo.

A loirinha entrou em turnê com a Rihanna, em “Last Girl On Earth Tour”, fazendo apenas 10 shows de abertura, somente no Reino Unido. Alguns meses depois, Pixie começa a gravar de seu primeiro filme, “Fred: The Movie”, lembra dele?

Depois do filme, ela escolheu como quinto single do álbum a música que deu título ao CD, “Turn It Up”, a mais dançante do disco.

“Turn It Up”, 2010

A música fala sobre relacionamentos que não funcionam e de pessoas que insistem em ficar juntas até o último minuto. Mas isso não significa que tudo que aconteceu entre os dois deve ser apagado; que é bom deixar boas lembranças do tempo juntos, certo? No clipe (que conseguiu um grande número de thumbs up), o atual namorado dela participa, o gato do Oliver Cheshire!

Depois da pequena turnê promovendo o CD na Oceania, Europa e no Japão, acompanhando a banda The Saturdays, Pixie relançou o álbum, agora com o nome “Turn It Up (Louder)” e com a inclusão de cinco faixas. Entre elas o dueto com o cantor Jason Derülo e o sexto single da cantora, “Broken Arrow”.

Pixie Lott, prazer.

3 Momentos: Robyn

Do Thiago: Ela parece deslocada no tempo. E talvez, quem sabe, do espaço. O visual que beira a androginia, as danças super oitentistas e o figurino idem são só algumas das características que alimentam o pensamento de que Robyn não é bem o tipo de artista que nossa geração produz. Nas performances ao vivo, ela tem a capacidade de dominar o palco dançando como se ninguém tivesse assistindo e cantando sem desafinar. E tem a música. Ah… a música!

O que Robyn canta confunde. Fica difícil dizer se o som veio do futuro ou do passado. A sutileza dos violinos, a programação eletrônica que soa quase como uma evolução natural do Abba, a produção caprichada – ora puro barulho, ora pura delicadeza – acolhem e aproximam de imediato o ouvinte, cumprindo a missão de trazer a euforia da novidade e o conforto que só os déjà vus podem evocar.

Quando Robyn lançou “Robyn Is Here”, seu primeiro álbum, ela tinha apenas 16 anos. Foi desse disco, que contava com produções de Max Martin, que saíram 2 de seus singles de maior sucesso: “Do You Know (What It Takes)” e “Show Me Love”. Ambas as músicas chegaram ao Top 10 da Billboard – coisa que jamais se repetiria.

Era natural que o próximo passo da cantora era dominar ainda mais as paradas. Mas não foi isso que aconteceu. Em 1999, Robyn lançou “My Truth”, um disco que como o próprio título sugere soa mais sincero e confessional que o debut. Tratando de temas delicados como aborto e decepções, o disco não teve promoção internacional e fez com que o sucesso de Robyn na América fosse rapidamente esquecido.

Progredindo cada vez mais como artista e conquistando novamente o reconhecimento que lhe foi negado, nos anos seguintes Robyn lançou os álbuns “Don’t Stop The Music” e “Robyn”. Esse último, lançado de forma independente, mostrou a loira em seu estado mais puro fazendo um tipo de música que transcendia o pop radiofônico da época. E é dele que temos “Be Mine!”, nosso primeiro momento.

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“Inside Job”, a crise financeira e o MGMT

Do Urbe: Durante os créditos finais do documentário “Inside Job”, a música chamou atenção. Nem tanto pela letra – que mesmo sem ser literal parecia feita sob medida – e sim pelo som mesmo, retrô.

“Congratulations”, do MGMT, cavou uma segunda chance para o segundo disco, de mesmo nome. Continua abaixo do primeiro, porém algumas outras músicas pularam e já não parecem o desastre que as primeiras audições indicavam. A música título em questão é uma belezura.

O filme, vencedor do Oscar, é uma das melhores apresentações em power point já montadas. Também pudera, os nós da história são tão apertados que só com muito texto na tela e gráfico pra fazer sentido pra alguém que não trabalha no mercado financeiro.

As explicações são tão boas que no final você se sente um economista. A confusão armada pelos próprios bancos, desaguando na crise financeira de 2008 (uma embolação de títulos, laranjas e especulação de seguros) é um troço escandaloso. É mesmo difícil acreditar que não deu em nada.

Preocupante ver o Brasil galopar em direção ao crédito como regra de vida, esquecendo o passado de poupanças – que garantiu apenas uma famosa “marolinha” – aportar em nosso litoral na época da crise. É de se fazer pensar, mesmo com as vantagens imediatas que o sistema traz. O risco é enorme.

3 Momentos: Gwen Stefani

O mundo pop anda muito chato ultimamente. Mas muito chato mesmo. Você consegue lembrar qual foi o último respiro levemente interessante desse universo que a gente tanto gosta? Levando em consideração esse fato (de que o pop já não é mais o mesmo), o que resta para aqueles que se cansaram de ver moças de cabelo vermelho, meninas sujas ou gente com gengivas avantajadas na TV, é relembrar um tempo em que o visual das estrelas era realmente interessante e a música, normalmente descartável nesse meio, era bastante boa. Convido vocês, senhores e senhoras, a rememorarem comigo um período curioso e, mais do que tudo, delicioso da música pop.

Love. Angel. Music. Baby.”, o debut solo de Gwen Stefani, foi gravado entre 2003 e 2004.  Nessa época, a jovem senhora de 34 anos já era uma das celebridades mais conhecidas e adoradas dos Estados Unidos, tinha uma linha de roupas super estilosa e carregava nas costas o título de frontwoman do No Doubt – a sensacional banda de rock/ska/reggae/dance-hall/punk/pop que, naquele tempo, vivia o auge de sua popularidade em virtude do lançamento de “The Singles 1992 – 2003 – uma coletânea com os principais sucessos do grupo.

Talvez por isso a maioria dos fãs e dos críticos estranhou quando a Gwen Stefani anunciou que lançaria um álbum solo que, segundo a mesma, falaria sobre guilty pleasures. Por mais que Stefani repetisse a torto e a direito que a banda não acabaria, o projeto foi encarado com certa desconfiança e os fãs mais xiitas que idolatravam a postura incandescente e rock’n’roll da garota acabaram estranhando a ruptura de gêneros que Stefani investiu com o primeiro single What You Waiting For? que, não por coincidência, é nosso primeiro e fantástico momento da sessão.

“What You Waiting For?”, 2003.

Sendo o single de estreia, “What You Waiting For? teve a árdua missão de apresentar o novo trabalho, de se mostrar relevante para a música e, obrigatoriamente, ser diferente das coisas que o No Doubt produzia. E o mais bacana é que a música cumpriu tudo isso com uma facilidade impressionante. Produzida por Nellee Hooper, parceiro de longa data de Gwen e do No Doubt,  a música começa muito bem com uma introdução dedilhada tocada no piano e surpreende quando rompe a barreira de gêneros se tornando frenética, urgente e retrô/moderna – tudo ao mesmo tempo. A letra, bem diferente das canções confessionais do No Doubt, escrita por Stefani em parceria com Linda Perry, parece reflexiva e imediata, quase esquizofrênica e revela os anseios de uma popstar que precisa se firmar mesmo após quase 18 anos de carreira.

Essa autoafirmação misturada com dúvidas fica mais explicita no sensacional videoclipe dirigido por Francis Lawrence. Nele, Gwen Stefani, em crise criativa, viaja ao fantástico País das Maravilhas de Lewis Carrol (bem mais “fiel” que o filme de Tim Burton) e reencontra as forças que precisava para se manter viva. Eleita como uma das 50 melhores canções de 2004 pela Rolling Stone e indicada ao Grammy de Melhor Performance Vocal Feminina, “What You Waiting For?” foi só o início do que estava por vir.

“Cool”, 2005.

Cronologicamente falando, “Cool”, o quarto single de L.A.M.B., foi lançado em 2005 após a divertida Rich Girl e da estrondosa Hollaback Girl – maior êxito comercial de Gwen até hoje. Envolvida por um clima nostálgico, “Cool” foi logo apontada como uma continuação direta de Don’t Speak, do No Doubt. Se na letra da música de 1995 Gwen abria seu coração para falar sobre a perda de seu parceiro de banda, namorado e melhor amigo Tony Kanal, agora reanalisava o caso pela ótica otimista de quem conseguiu superar momentos intensos de dor. Contudo, mesmo com todo ar aparentemente “feliz”,  a melancolia presente na canção entrega (perdoem-me se isso soar piegas demais) que mesmo as batalhas superadas deixam marcas indeléveis.

Apresentando uma história tão emocionante quanto a retratada na letra, o belíssimo clipe teve a direção de Sophie Muller, amiga pessoal de Gwen, e foi filmado na Itália. Nele, a vemos – conhecida mundialmente como loira platinada – de cara limpa e cabelos castanhos. Mais estarrecedor que o visual – tanto do clipe como o de Gwen – é a mensagem do vídeo, que demonstra claramente sua intenção com a canção: finalizar de uma vez por todas um importante ponto de sua vida. Nas paradas, o ápice de “Cool” foi a 13ª posição no Hot 100 da Billboard.

“The Sweet Escape”, 2007.

O ano de 2006 foi bastante confuso para Gwen Stefani. Depois do sucesso de “Love. Angel. Music. Baby.” (o disco rendeu seis singles, uma turnê e um DVD), ela decidiu, na última hora, lançar seu sucessor.The Sweet Escape, o disco, contou com a colaboração de um time de primeira que incluiu entre outros nomes The Neptunes, Tony Kanal e Akon, mas mesmo assim ele não conseguiu superar o debut da cantora. Nas palavras de Gwen, o álbum precisava ser lançado pois possuía “algumas faixas maravilhosas que não entraram no L.A.M.B.”. As tais faixas maravilhosas não eram ruins – pelo contrário, algumas até eram mais do que ótimas -, mas não possuíam o frescor de novidade e a energia que permeou todo o primeiro trabalho. “Wind It Up, primeiro e divertido single, teve uma recepção morna por parte do público e fez com que as vendas do disquinho não fossem lá muito altas. Quando tudo parecia ir para o limbo de “ok, próximo”, Stefani lançou a canção título em parceria com Akon e teve um merecido sucesso: ficando mais de 15 semanas no Top 10 da Billboard, ela foi a terceira canção mais popular daquele ano. Tida por muitos como uma das melhores de toda carreira de Gwen, “The Sweet Escapeé pegajosa na medida certa e falava de um jeito bem pontual sobre as possibilidades de um relacionamento dar certo além do desejo constante dos personagens envolvidos serem pessoas melhores por amarem.

No clipe, exageradamente dourado e brilhante, ela foge da cadeia com a ajuda de suas Harajuku Girls para se divertir… Mas depois de 2 horas de perseguição, a moça acaba voltando para de trás das grades.  Dirigido por Joseph Kahn, o vídeo foi indicado a Melhor Colaboração no VMA de 2007, mas acabou perdendo para Beyoncé e Shakira.

A sensação que fica revendo e reavaliando a carreira POP de Gwen é que ela foi curta e quase brilhante. Mesmo nos momentos menos inspirados, Stefani foi melhor e mais interessante que 90% do que rola hoje em dia. Mostrando ter aprendido a lição dada por Madonna e buscando mecanismos [realmente] autênticos, Gwen lançou verdadeiras pérolas da música pop e teve seu nome eternizado nesse mundinho que é, na maioria das vezes, recheado de figurinhas descartáveis.

Miolão

3 Momentos: Yeah Yeah Yeahs

De todas as bandas que vieram salvar o rock nos idos de 2000, o Yeah Yeah Yeahs talvez seja a que escolheu os caminhos mais interessantes. Fugindo do óbvio e sendo criativos como poucos, eles eram a aposta menos segura de uma legião de críticos que pareciam mais eleger heróis do que criticar de fato os músicos daquela época.

Mesmo que não carregassem o título de “salvadores” – e desde quando o rock precisou ser salvo? -, a banda chamava a atenção de todos por transpirar rock’n’roll e fazer bonito em qualquer área em que atacasse.

Com quase uma década de estrada, separamos 3 Momentos para entender o que o Yeah Yeah Yeahs foi, o que o Yeah Yeah Yeahs é e o que o Yeah Yeah Yeahs pode ser.

O início: “Maps”, 2004

O trio, oriundo de Nova York, estreou com um EP em 2001 sem fazer muito barulho. Anos depois, em 2003, lançaram um aclamado debut recheado de uma fúria dilacerante alternando momentos de libertinagem, sujeira e… amor.

“Maps”, terceiro single do disco, caiu no gosto dos alternativinhos de plantão: o belíssimo clipe correu as TVs do mundo e foi indicado a prêmios importantes como Melhor Direção de Arte, Melhor Edição e Melhor Fotografia do VMA de 2004.

Tão bonito e onírico quanto o vídeo foi a apresentação da canção pela banda no MTV Movie Awards de 2004:

De tirar o fôlego.

O meio: “Gold Lion”, 2006

As guitarras continuavam lá. A voz e a presença de Karen O também. Mas alguma coisa tinha mudado. Dividindo opiniões, “Show Your Bones”, segundo disco da banda, de 2006, trouxe um Yeah Yeah Yeahs renovado. No repertório não havia nenhuma canção furiosa como “Pin” ou graciosa como “Maps”, mas o lead-single comprovava que a banda ainda dava conta do recado.

O vídeo, dirigido por Patrick Daughters, é até hoje um verdadeiro deleite estético e uma unanimidade entre os fãs. Também pudera, há clipe mais legal e refrão mais pegajoso?

O recomeço: “Zero”, 2009

Quem se atreveu a declarar a morte da banda após o segundo disco engoliu palavra por palavra com o lançamento de “Zero”, primeiro single de “It’s Blitz”!

“Zero” marcou uma nova fase no som da banda. Mais maduros e interessantes do que nunca, o Yeah Yeah Yeahs ousou ao deixar as guitarras – sua marca registrada – de lado e apostar num som repleto de sintetizadores e efeitos.

Paradoxalmente ao que se poderia supor, o resultado obtido em “Zero” foi incrível: a música cresce a cada audição e contagia, fazendo com que a gente “reaja” instantaneamente.

Não à toa, foi considerada uma das melhores faixas do ano pelas principais publicações do mundo.

Acompanhar a evolução do Yeah Yeah Yeahs é ao mesmo tempo atrativo e difícil. Difícil porque olhar todas as mudanças de longe, sem se envolver, é tarefas das mais impossíveis. E é atrativo justamente por isso. Que venha o futuro.

Thiago Dantas

Homofobia no metal?

Em uma entrevista recente ao San Diego Gay & Lesbian News, Rob Halford, do Judas Priest, falou abertamente sobre sua experiência de se assumir gay em 1998. Ele acredita que o ato ajudou a destruir o mito de que bandas e fãs de metal não podiam aceitar homossexualidade. “Eu acho que fiz algumas pessoas se confrontarem com questões que estavam evitando”, disse o cantor.

O Priest lançou seu primeiro álbum em 1974 e Halford levou 24 anos para conseguir a coragem de se assumir. Nesse tempo, ele saiu do Judas Poriest e voltou cinco anos depois. Ele foi altamente elogiado pela atitude na época e enfrentou poucos problemas desde que voltou à frente da banda, em 2003.

Outros não tiveram tanta sorte. Quando Gaahl, do Gorgoroth, revelou em 2003 que estava em um relacionamento com um homem, ele e seu parceiro receberam inúmeras ameaças de morte. Igual aconteceu com Otep Shamaya quando ela disse que era lésbica, em 2005.

Como gênero, o metal sempre esteve em cheque quando o assunto era tolerância. Não há dúvida de que as coisas mudaram desde os anos 80 – quando Sebastian Bach, do Skid Row, usava blusas escritas “AIDS mata bichas” e Axl Rose admitia que andava de carro por Los Angeles gritando xingamentos aos gays na rua – mas a homofobia ainda está impregnada no gênero musical.

Ainda existe, em casos mais extremos, um desagradável crossover com grupos neofascistas e bandas de black metal, que cantam hinos ao “poder branco”. Isso está acabando, mas a ressaca homofóbica ainda é notável.

É um estranho paradoxo que a música teoricamente adorada pelos incompreendidos, castigados e oprimidos tenha um ponto cego no que diz respeito a aceitar homossexualidade, mas basta notar a linguagem que as bandas usam em suas músicas e entrevistas.

Zakk Wylde sempre rotula bandas que não gosta como “gays”; Kerry King, do Slayer, foi criticar a nova direção do Machine Head e escolheu dizer que Rob Flynn canta “como uma bicha”. Digite qualquer banda de metal no Google e vá até a seção de comentários para ler coisas ainda piores.

A desculpa usada é que isso não significa nada, que não é para ser depreciativo, mas então porque fazer assim? Há uma tonelada de palavras que podiam ser usadas sem nenhuma conotação dessas. Talvez seja um comportamento adquirido, talvez seja só um mau hábito, mas é algo do qual o gênero devia se livrar.

Como Halford disse, as coisas estão melhorando. Membros do Anthrax, Kiss e Guns N’Roses tiraram fotos para a campanha NOH8 [a favor do casamento gay] e há esperança que as atitudes mudem. Mas por enquanto, o nível de tolerância do metal está bem abaixo do que devia estar.

Tom Goodwyn para o NME
Tradução: Gabriel Cadete

3 Momentos: Floria Sigismondi

Talvez você não ligue de imediato o nome à pessoa, mas se você gosta de ver clipes provavelmente já se deparou com o trabalho de Floria.

No comando de videoclipes desde a década de 90, Floria Sigismondi tem um talento nato para direção. Formada em fotografia e dona de um apuro estético ímpar, a artista imprime nos vídeos em que dirige características ora sombrias ora cativantes.

Na maioria de seus clipes, os artistas abrem mão de uma áurea glamourosa e se transformam em criaturas estranhas e/ou melancólicas. Cenários dark, surrealismo e monstros são itens recorrentes em sua videografia.

Vale lembrar que além dos clipes, Floria Sigismondi estreou nos cinemas com “The Runaways”, seu primeiro filme. Enquanto o filme não chega, separamos abaixo 3 Momentos que comprovam a genialidade da artista.

“Fighter”, Christina Aguilera, 2003

Terceiro single de “Stripped”, segundo álbum de Aguilera, “Fighter” quebrou recordes no TRL (uma espécie de Disk MTV/Top 10) norte-americano, ficando 16 dias em primeiro lugar.

Sem tirar os méritos de Aguilera, tamanho sucesso também se deve muito ao talento de Floria. Com uma fotografia espetacular e direção de arte impecável, o clipe é, de certa forma, fiel à letra da canção. De início, Christina lembra uma larva prestes a transformar-se em mariposa. Com um visual gótico e escuro, ela cambaleia até quase cair. No segundo ato, Christina aparece de branco, em um cenário totalmente oposto ao apresentado no início. No fim, Aguilera consegue se libertar das amarras que a prendiam e vira uma verdadeira lutadora.

Mais que merecidamente o vídeo ganhou o Juno (uma espécie de Oscar canadense) de 2004 na categoria de melhor vídeo musical e é lembrado até hoje pelos fãs como um dos melhores da cantora.

“Blue Orchid”, White Stripes, 2005

Se em “Fighter” Floria trabalhou cenários extremos e seres estranhos, em “Blue Orchid”, primeiro single de “Get Behind Me, Satan”, Floria explanou todas as características que o fizeram marcante.

Estrelado por Karen Elson, atual esposa de Jack White, “Blue Orchid” é quase como um pesadelo. Ver Karen em saltos altíssimos caminhando por uma casa escura é agonizante e quase desesperador. Cheio de simbolismos (a cegueira, os cavalos, as cobras e a maçã, por exemplo), o vídeo tem um cuidado estético impecável e casa muito bem com a ótima música dos Stripes.

Um fato interessante sobre o vídeo é que ele já figurou a lista dos ’25 clipes mais assustadores de todos os tempos’ do portal Yahoo!, ocupando a 13ª colocação. Pessoalmente, acho que merecia uma posição mais alta…

“Megalomaniac”, Incubus, 2004

Provavelmente o melhor trabalho de Floria, “Megalomanic” é tão insano e provocativo quanto a música do Incubus. Questionando o american way life, o vídeo compara o governo de George W. Bush com o nazismo de Hitler e denuncia toda a loucura e conivência do povo. Usando e abusando de técnicas de colagem, as imagens do clipe lembram de certa forma o trabalho de Richard Hamilton. Infelizmente, o vídeo não foi reconhecido em premiações, mas é só assistir para perceber que isso não é nenhum demérito.

Thiago

Você vai conhecer o homem dos seus sonhos

O novo filme de Woody Allen fala de uma batalha vencida, aquela em que a gente tenta abrir os olhos de quem vive de ilusão oferecendo a lógica e a realidade. Não funciona. As pessoas que vivem de ilusão, as crédulas, que acreditam em qualquer coisa, de videntes que lêem o futuro na bacia de água até aos pais-de-santo que trazem seu amor de volta em sete dias querem justamente fugir dessa realidade.

É fato que a vida tem muitas mistérios, que a ciência não dá conta de tudo. Também é certo que tem gente que acredita em absolutamente qualquer bobagem e que muita gente picareta se aproveita da boa vontade e inocência dos outros. Veja o filme, é bem leve e simpático, “Você Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos” é o nome. Vi e gostei, dá pra rir e conversar depois do cinema.

Durante toda a minha vida cometi esse mesmo erro. Falar demais, contar demais, dizer a verdade que ninguém quer ouvir. A verdade não apenas dói, mas muitas vezes parece muito mais sem graça do que a ilusão. A ilusão está em toda mídia. No peito de silicone da gostosa, na voz dublada da cantora, no texto escrito por um ghost writer.

No fundo, as pessoas estão certas, elas fazem parte de uma simbiose honesta. Um quer enganar, o outro quer ser enganado. Parece perfeito. No filme, tem uma personagem engraçadíssima de uma garota de programa que casa com um coroa (Anthony Hopkins, representando o Woody Allen, ao que tudo indica) em crise de 3a. idade. Ela diz pra ele as coisas que ele paga pra ouvir. E ele acaba se casando com ela. Muitos homens querem isso, mentiras pagas. Uma mulher que diga que ele é o máximo. Ele sabe que não é, mas acha gostoso ouvir. Ela sabe que ele não é, mas ela fala e ganha casacos de pele. É uma espécie de loucura complementar. Quem somos nós pra dizer que não é bom se funciona para os dois?

Tenho me esforçado muito para mudar, porque minha primeira reação ao ver a verdade é desnudá-la. Mas não vale a pena dizer ao mundo que Papai Noel não existe, se todo mundo é tão feliz acreditando nele. Ainda mais agora, que já é Natal.

Rosana Hermann

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