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Crítica: “Meia-Noite em Paris”

Hoje estreia “Meia-Noite em Paris”, mais novo filme de Woody Allen, cheio de elementos já familiares aos fãs do cineasta. Mas, em essência, a história é diferente e original. E nem precisa dizer que ficar duas horas vendo a cidade europeia causa uma vontade quase incontrolável de viver lá.

Os personagens (ou suas características principais) também são familiares a quem já viu algumas outras obras de Woody Allen. Gil, personagem de Owen Wilson, é o típico alter ego do diretor: resmungão e sempre pensando em voz alta. Wilson não é o melhor ator do mundo – acho que todos concordamos aqui -, então essas características ficam meio babacas na voz dele. Parece que ele está a um passo de olhar para a câmera e falar diretamente com o espectador (não que isso seja ruim ou que Allen nunca tenha usado o recurso, mas “Meia-Noite em Paris” já tem fantasia demais até para essa impressão).

Mas ele não estraga o filme, claro. E a química dele com Rachel McAdams, sua noiva mimada, é ótima e cria situações engraçadas por sensação. Todo mundo já conheceu uma família frívola e, ao mesmo tempo, dramática como a dela.

Mas o filme não é exatamente sobre nenhum dos dois e sim sobre os peculiares personagens que Gil, inexplicavelmente, conhece: Cole Porter, Fitzgerald, Hemingway, Picasso, Dalí, Luis Buñuel e por aí vai. O cara é um escritor que está apaixonado pela cidade sob a chuva e parece ser um dos únicos ao redor que enxergam mais em Paris do que monumentos antigos e lojas da Dior. Seu desejo de viver no passado é tão grande que, todos os dias à meia-noite, se transporta para Cidade Luz de 1920 e conhece essas figuras, tendo a chance de papear um pouco com cada uma.

Essa sensação está bem colocada no cartaz original do filme, onde o céu de Paris é pintado por Van Gogh. No Brasil só chegou o pôster de Owen abraçadinho com Rachel em um fundo claro, sugerindo uma comédia romântica água com açúcar. Tudo bem, cada país tem o seu mercado de espectadores, mas o outro pôster é mais bonito, né?

Aos que estranham esse enredo, é interessante ver Woody Allen falando do próprio filme dentro dele. Em uma crise criativa escrevendo seu romance, Gil percebe que o que falta na obra: ela está presa demais à realidade, ele precisa se permitir algumas licenças poéticas, alguns eventos sem explicação. E isso o filme tem em excesso. E qual o problema de ter?

Ah, teve muito burburinho por esse ser o primeiro filme de Carla Bruni, ex-modelo e atual primeira-dama da França. Ela não é ruim, mas aparece em apenas três cenas. Sua personagem não tem nem nome. Então não se empolgue muito.

A visão de Woody Allen de como seria uma conversa com a turma surrealista é um momento bem divertido do filme, a Zelda Fitzgerald de Alison Pill é ótima, Michael Sheen é um pedante de primeira, mas eu destacaria mesmo é Corey Stoll no papel de Hemingway, falando com pulmões cheios pérolas de sabedoria do autor norte-americano. Suas palavras são alguns dos belos momentos de inspiração do longa.

Mas nem tudo são flores. Vivendo “no passado”, Gil se apaixona por Adriana – a bela Marion Cotillard – e não precisa pensar duas vezes: é ela quem ele quer. Mas Adriana, que já namorou os mais famosos artistas de sua época, não é tão fascinada assim com o seu tempo e coloque em xeque até a fascinação do próprio Gil com os anos 20.

“Meia-Noite em Paris” mostra que, não importa a época, sempre há a ideia de que “as coisas eram melhores antes”. Mas conclui que nenhum passado é melhor se você prestar bastante atenção no que está fazendo no seu presente – mas sem ser piegas como essa frase que resume a ideia.

Veja o trailer abaixo!

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2 Respostas

  1. I can’t wait to see this movie!

  2. […] sensacionais que saíram este ano: “50/50″, “Rango”, “Hannah”, “Meia-Noite em Paris“, “Super 8″, “Contágio”, “Drive”, “Os […]

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