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3 Momentos: Dido

Do Miolão: Sem muito alarde, Dido lançou seu primeiro disco, “No Angel”, em 1999. A moça, que já possuía algumas demos de lambuja e colaborações com o grupo Faithless, liderado pelo seu irmão, Rollo Armstrong – um dos maiores parceiros de sua carreira individual – só estouraria mesmo dois anos depois, após uma forcinha não-intencional de Eminem, que usaria o sample de uma de suas faixas, “Thank You”, para construir a sua “Stan”. A gravação do cara atingiria o primeiro lugar nas paradas britânicas, pondo-a por tabela, mas merecidamente, sob os refletores.

Mesmo com longos períodos sem lançar nada, ela não perde seu lugar entre as cantoras contemporâneas mais relevantes. Com mais de doze anos de carreira, a inglesa atualmente espera seu primeiro filho e colhe prêmios em festivais ao redor do mundo com “If I Rise”, tema original do filme “127 Horas”.

Seu delicado e incisivo trabalho é homenageado no “3 Momentos”.

“Here With Me”, 1999

“No Angel” é um mergulho da cantora em sua trajetória pessoal até então – refletida inclusive na arte do encarte, com diversas imagens saídas diretamente de seu álbum de família. Sempre flertando com o trip-hop e com uma forte carga nostálgica, ele traz reflexões sobre seus amores passados, traições, desventuras que aconteceram a conhecidos e analisa as escolhas que Dido tomou para si própria, mostrando alguém que sai da juventude e caminha para a vida adulta com maturidade, apesar de alguns dilemas. Se tornaria o disco mais vendido de 2001, ultrapassando as 20 milhões de cópias e apresentaria hits como “Hunter” e a supracitada “Thank You”. “Here With Me”, primeiro single, foi redescoberto quando Dido deparou-se com o boom mundial, chegando ao quarto lugar na parada britânica. Honesto e dolorido, é direcionado a alguém cuja ausência é devastadora na vida da cantora. Sem a sua presença, ela diz não poder se mexer, respirar e nem dormir – apenas quando estão repousando juntos. O tom da canção se eleva cada vez mais, e Dido retrata essa inquietude de uma forma tão intensa que chega a arrepiar. Essas são as duas versões do clipe.

“See You When You’re 40”, 2005

Depois de um debut estrondoso, a cantora seria alçada ao patamar de estrela. Seu “No Angel” seria relançado em edição especial de remixes, mas ela, low-profile como é, só lançaria seu sucessor oficial, com composições inéditas, depois de extensa turnê e de finalizar a divulgação do primogênito com sucesso. “Life For Rent” chegaria às lojas em 2003, e traria a mesma Dido de antes espalhada em sua forma e conteúdo – com apenas algumas mudanças…

Ainda cheia de delicadeza, a inglesa soaria um pouco menos intimista e as canções, por sua vez, mais acessíveis. Com toques eletrônicos ainda mais evidentes, é um álbum barulhento pero no mucho, que parece emular o fôlego que a vida na estrada lhe trouxe. Como o antecessor, é permeado por uma sensação agridoce e apaixonante. Dido soa mais desprendida ao falar de diversos temas que já havia abordado antes e retornam aqui.

Entre os destaques estão a faixa título, o hit “White Flag”, “Mary’s In India”, “Don’t Leave Home” e “See You When You’re 40”. A performance a seguir compõe o DVD “Live At Brixton Academy”, primeiro da carreira de Dido e que traz uma amostra do que foi a sua “Life For Rent Tour”. Antes de introduzir a faixa em questão, a artista diz: “Geralmente não escrevo canções para uma pessoa especificamente, porque penso que isso é abusar da minha posição… Mas às vezes eu não consigo evitar”.

“See You When You’re 40” é um desabafo extremamente direto sobre um antigo affair, uma grande decepção para o qual Dido supostamente deu uma segunda chance, mas ele a desperdiçou. Ela mostra-se completamente incrédula com suas próprias crenças e com a sua antiga capacidade de considerar tudo o que seu par fazia irrelevante. Ela canta diversas passagens com um sorriso nos lábios, como se desdenhasse do quão ridículo seu ex-parceiro é. Com arranjos mais explosivos do que a versão original do álbum, “See You When You’re 40” ao vivo é um dos ápices desse registro audiovisual e merece ser conferido – ademais, é uma demonstração do talento de Dido para compor.

“Nothern Skies”, 2009

“Safe Trip Home”, o terceiro disco de Dido, certamente não é o mais fácil de sua discografia, mas é, provavelmente, o mais coerente, e uma peça que deve ser degustada bem lentamente, saboreada em camadas. Nenhum lançamento até então havia retratado o âmago da cantora como esse o fez.

Lançado em 2008, marca uma notável mudança no estilo trilhando até então: Dido se despe da sonoridade levemente trip-hop-eletrônica que vinha experimentando e abraça o pop acústico/folk. Ela uniu onze registros de apurada sensibilidade e que partem o coração do ouvinte pela simplicidade, fragilidade e o verniz melancólico.

Além da mudança no que se ouve, “Safe Trip Home” marca um capítulo nada agradável na vida da loira: o CD é praticamente um tributo ao seu pai, o escritor William Armstrong, que faleceu no final de 2006. A tristeza é visível em canções que retratam o acontecido, como “The Day Before The Day” – onde ela lamenta não ter se despedido dele apropriadamente antes de sua morte – e “Grafton Street”, em que relembra as visitas que fazia ao local do título junto a ele e que não acontecerão mais, mas Dido também soa descrente como nunca ao dissertar sobre outras desilusões, abraçando o sentimento de derrota e aceitando-a como parte da vida para superar esse momento.

O álbum se encerra com uma reflexão otimista sobre sua existência e sobre as coisas que estão por vir: “Northern Skies”, uma faixa de mais de sete minutos, o hino de libertação de Dido, onde ela diz ter finalmente retornado aos horizontes favoráveis que antes haviam em sua vida e declara ter abandonado sua zona de conforto. É levemente desolador, mas ao mesmo tempo cheio de esperança – e super comovente.

Para divulgar faixas do disco, Dido convidou diretores de cinema a realizarem pequenos filmetes sobre algumas delas. “Northern Skies” ganhou o seu, com fotografia incrível e muito esmero, nas mãos de Rohan Gavin.

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8 Respostas

  1. Muito bom relembrar Dido! Bacana demais esse post!

  2. EEEEE, escolheu um 3momentos meu! 😀

  3. ai, dido ❤

    saudade de ver 'here with me' no disk mtv antes de ir pra escola…

    adorava ela, gente

  4. […] Momentos: – Arctic Monkeys – Alicia Keys – Pixie Lott – Gwen Stefani – Dido Share this:FacebookTwitterGostar disso:GostoSeja o primeiro a gostar disso […]

  5. She’s coming back soon !
    Love you Dido!

  6. Saudade dela… tenho os três cds e sempre escuto da uma nostalgia… muito o post vc de parabéns!

  7. Saudade dela… tenho os três cds e sempre escuto da uma nostalgia… muito bom o post ta de parabéns!

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