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3 Momentos: Robyn

Do Thiago: Ela parece deslocada no tempo. E talvez, quem sabe, do espaço. O visual que beira a androginia, as danças super oitentistas e o figurino idem são só algumas das características que alimentam o pensamento de que Robyn não é bem o tipo de artista que nossa geração produz. Nas performances ao vivo, ela tem a capacidade de dominar o palco dançando como se ninguém tivesse assistindo e cantando sem desafinar. E tem a música. Ah… a música!

O que Robyn canta confunde. Fica difícil dizer se o som veio do futuro ou do passado. A sutileza dos violinos, a programação eletrônica que soa quase como uma evolução natural do Abba, a produção caprichada – ora puro barulho, ora pura delicadeza – acolhem e aproximam de imediato o ouvinte, cumprindo a missão de trazer a euforia da novidade e o conforto que só os déjà vus podem evocar.

Quando Robyn lançou “Robyn Is Here”, seu primeiro álbum, ela tinha apenas 16 anos. Foi desse disco, que contava com produções de Max Martin, que saíram 2 de seus singles de maior sucesso: “Do You Know (What It Takes)” e “Show Me Love”. Ambas as músicas chegaram ao Top 10 da Billboard – coisa que jamais se repetiria.

Era natural que o próximo passo da cantora era dominar ainda mais as paradas. Mas não foi isso que aconteceu. Em 1999, Robyn lançou “My Truth”, um disco que como o próprio título sugere soa mais sincero e confessional que o debut. Tratando de temas delicados como aborto e decepções, o disco não teve promoção internacional e fez com que o sucesso de Robyn na América fosse rapidamente esquecido.

Progredindo cada vez mais como artista e conquistando novamente o reconhecimento que lhe foi negado, nos anos seguintes Robyn lançou os álbuns “Don’t Stop The Music” e “Robyn”. Esse último, lançado de forma independente, mostrou a loira em seu estado mais puro fazendo um tipo de música que transcendia o pop radiofônico da época. E é dele que temos “Be Mine!”, nosso primeiro momento.

Be Mine!, 2005

No UK Singles Chart “Be Mine!” chegou a posição de número 10. A música, que fala sobre a tristeza de ver a pessoa amada ir embora, tinha força o suficiente para atingir em cheio até o mais duro dos corações. Ganhou 2 vídeos diferentes. Na primeira versão, acima, dirigida por  Brad Kluck, ela assume alteregos que parecem analisar e culpar sua aparência por seu atual estado de solidão.

Além de render um belíssimo clipe, o hit também fez com que Robyn se apresentasse pela primeira vez no Prêmio Nobel da Paz em 2008. Clique aqui para assistir.

The Girl and The Robot, Röyksopp, 2009

Os anos seguintes foram bastante prósperos para Robyn. Depois de ter vários de seus singles nas principais paradas da Europa e da Austrália e de ter aberto alguns shows na primeira fase da turnê “Sticky and Sweet” da Madonna, a cantora apareceu emprestando sua voz ao primeiro trabalho do Röyksopp. No bizarro videoclipe da música, a garota interage com o robô do título de maneira inusitada, e no final parece bastante aliviada ao descobrir que não… Bem, assistam vocês.

Indestructible, 2010

Ano passado Robyn lançou “Body Talk”. Dividido em 3 partes que saíram ao longo do ano, o projeto foi de longe o mais interessante e consistente de sua carreira. Presente na terceira e última parte do trabalho, “Indestructible” apareceu pela primeira vez em uma versão acústica em “Body Talk Pt. 2”.

A música revelava uma Robyn delicada e provava que embaixo de toda aquela pose batia um coração. A letra honesta de “Indestructible” soava tão visceral e sincera que impressionava pela coragem de assumir pancadas, marcas e feridas e mesmo assim se manter-se destemida para amar de novo – mesmo que isso significasse mais sofrimento. Para Robyn, a faixa fala “sobre o que acontece quando você conhecer novas pessoas e se apaixonar, e como isso pode ser assustador e divertido ao mesmo tempo”.

Criativa, ousada e, mais do que qualquer outra coisa, talentosa, Robyn se firma a cada lançamento como a estrela que a minha geração merece.

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3 Respostas

  1. […] vibe meio Kylie Minogue? É tipo o clipe de “Call Your Girlfriend”, da nossa querida Robyn. Lindo, […]

  2. […] Robyn está em turnê pela Europa e essa semana foi um dos destaques do Rock Werchter Festival, na Bélgica, na noite que foi chamada pela galera de “a melhor do evento”. Por lá, a cantora apresentou seus sucessos “Call Your Girlfriend, “With Every Heartbeat“, “We Dance to the Beat“, “Don’t F*cking Tell Me What Do” e “Indestructible“, que foi seguida por muitos aplausos, deixando a loira muito emocionada. Dá uma olhada pelo menos nesses vídeos abaixo e me diz se o reconhecimento mundial que ela (finalmente) está tendo é ou não merecido. […]

  3. […] do “Saturday Night Live”, fez um vídeo imitando (e muito bem) a coreografia que Robyn faz no vídeo de “Call Your […]

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