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“Ray of Light” é mocinha

O álbum “Ray of Light” comemora mais um ano de vida hoje e já é mocinha. Lançado no dia 3/3 de 1998, Madonna, logo ela, vai na contramão do pop chiclete de boybands e cantoras teens da época e aposta em uma sonoridade completamente diferente e canções com temas delicados. A pegada eletrônica transformava qualquer barulinho em ritmo e formava camadas que cobriam bases acústicas, formando boas músicas que iam do mid-tempo ao dance.

Com a voz mais trabalhada depois do musical “Evita”, a cantora alcança notas mais altas e se mostra muita mais versátil, entoando mantras e apresentando músicas que tinham tanto gritos quanto cochichos. Madonna tinha dado à luz sua primeira filha e para recuperar a forma começou a fazer yoga. Cheia de perguntas sobre o universo – afinal, ter um filho é explicar para ele o sentido da vida e isso não é algo fácil de fazer se nem você o entende – ela começou seus estudos de Cabala e de espiritualidade. E está tudo lá, nas letras dessas músicas que para mim, em resumo, representam o que é maturidade.

Madonna se revela solitária na faixa de abertura, “Drowned World”, e medrosa em “Mer Girl”, última canção do disco que é, na verdade, um poema sobre a morte de sua mãe. Fala sobre orgasmos em “Candy Perfume Girl” e reflete sobre violência e otimismo em faixas como “Swim” e “Sky Fits Heaven”. Já em canções como “Skin”, “To Have and Not to Hold” e “The Power of Good Bye” fala sobre relacionamentos e perdas – e as duas últimas apresentam melodias que lembram uma bossa nova gringa e eletrônica. Fala da maternidade em “Little Star”, claro, e ainda canta na língua sagrada da Índia, o sânscrito, na faixa “Shanti/Ashtangi”.

Ela teve a manha de escolher William Orbit e Patrick Leonard como produtores. Dois caras incrivelmente criativos e com propriedade para o que ela queria. O primeiro na experimentação eletrônica e o segundo nas letras – ele também escreveu “Like a Prayer”, por exemplo.

Com a incrível marca das 15 milhões de cópias vendidas – na época, hoje o número deve ser bem maior – e 4  prêmios Grammy, o álbum teve bons clipes, com destaque para o melancólico “Frozen”, o agitado “Ray of Light” e o artístico “Nothing Really Matters”, com uma releitura das duas personagens principais do livro “Memórias de uma Gueixa”, de Arthur Golden.

E é por isso tudo que ele continua sendo meu favorito.

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5 Respostas

  1. Que texto mais lindo. i_i

  2. Adorei o texto e a lembrança!

    Foi nesta época que comecei a gostar dela…

    São por discos como Ray Of Light que Madonna segue sem comparação no título Rainha do Pop.

  3. AMOOOOO ray of light… por esse cd virei fã da rainha
    Nossa, ray of light, frozen, to have and not to hold, swin, the power of goodbye… todas as muicas são lindissimas e dignas de menção… um album perfeito. E é tudo musica eletronica, com alma, coisa que está em falta…

  4. […] – O álbum “Ray of Light” faz aniversário […]

  5. […] E essa é uma notícia muito boa pois ele é o cara por trás de boas faixas do álbum “Music” e, claro, do maravilhoso “Ray of Light”. […]

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