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3 Momentos: Alicia Keys

Se existe uma cantora que nos últimos anos parece ter amadurecido de forma cada vez mais notável, essa é Alicia Keys. Em uma década de carreira, a moça passou de promessa da Midtown West para o posto de uma das artistas femininas mais respeitadas da atualidade. Se no início Keys parecia uma menina disposta a brincar com os ensinamentos que havia aprendido em seus anos de formação em música, agora continua fazendo exatamente o que deseja, mas com a segurança de uma veterana.

Fallin, 2001

Em 2001, Alicia Keys fez sua estréia com o incensado “Songs In A Minor”, disco que expunha todas as influências sonoras que havia absorvido ao longo de sua juventude. A moça, formada em piano clássico, aluna da Professional Performing Arts School e da Columbia University, era fã do jazz e da soul music de outrora, mas também idolatrava o hip hop e o R&B contemporâneo na mesma medida. Dessas misturas entre Nina Simone e Jay-Z, Stevie Wonder e Tupac Shakur, e outras diversas combinações inusitadas, Keys tirou a essência do seu som, que transita entre o delicado e o urbano com desenvoltura.

O disco foi puxado pelo single que figura no 1º momento do post: “Fallin”, sucesso mundial da artista, tocado à exaustão nas rádios e por aqui, inserida até em trilha sonora de novela. Naquele ano, ela dividia as paradas com nomes como Destiny’s Child e Jennifer Lopez. Diferente dos hits grudentos e popozudescos que elas apresentavam, Alicia apostava numa balada classuda e cheia de presença sobre as delícias e dificuldades de um relacionamento.

Com um coral gospel arrepiante, o acompanhamento “voz e piano” indefectível presente em várias de suas canções e atmosfera densa, a música é o retrato perfeito de uma pessoa realmente atormentada pelas confusões do amor, que encontra em uma única canção, que “sobe e desce” em diversos momentos, a forma de extravasar sua insatisfação e deleite ao mesmo tempo. Um clássico moderno?

Só pra constar: a faixa rendeu à Alicia, um ano após sua estréia, os prêmios Grammy de Melhor Performance Vocal Feminina (R&B), Melhor Canção de R&B e também Música do Ano. Sem falar que, também em 2002 ganharia como Artista Revelação e Melhor Disco do Ano.

If I Ain’t Got You – 45th Grammy Awards – 2005

Em seu segundo disco, Alicia mantinha todos os atributos que ditavam a estética de seu som, mas emprestou para suas novas faixas um tom mais confessional – fato escancarado até mesmo no nome do disco, “The Diary Of Alicia Keys”. Tão bom quanto seu antecessor, foi também ovacionado por público e crítica, e, mais polido que “Songs In A Minor”, rendeu singles de sucesso, como “You Don’t Know My Name” e a marcante “If I Ain’t Got You”.

Depois de ter papado cinco Grammys com seu CD de estreia, Alicia foi novamente indicada com seu novo trabalho. “The Diary of Alicia Keys” rendeu-lhe os prêmios de Melhor Álbum de R&B (The Diary of Alicia Keys), Melhor Performance Vocal Feminina (R&B), por “If I Ain’t Got You” e Melhor Canção de R&B com “You Don’t Know My Name”. Teve ainda um prêmio indireto para a moça, na categoria Melhor Performance Vocal de R&B por “My Boo”, aqueeele dueto “melê” com o Usher, sabe?

Além de garantir suas vitrolinhas, Alicia também fez mais: apresentada por Queen Latifah, subiu ao palco sem grandes firulas e, junto à uma competente orquestra, tomou conta do piano e mostrou porque todos aqueles prêmios deveriam voltar pra casa com ela. Interpretando a canção citada acima, mostrou tremendo controle vocal, muito sentimento e postura que faz jus à grandes divas da black music.

Empire State of Mind Part II – 2009

Lançado no final de 2009, o dueto entre Jay-Z e nossa homenageada, “Empire State of Mind” tomou conta das rádios e fez bonito nos charts. A faixa, empolgante e quase “épica”, é pura paixão direcionada à “cidade que nunca dorme”, e foi inserida no disco “The Blueprint 3”, último lançado pelo rapper.

Apesar da gravação ser ótima, existe outra versão da mesma, uma segunda parte, menos conhecida e tão bela quanto a original – despida do batidão hip hop e cantada somente por Alicia Keys. “Empire State of Mind Part II”, faixa bônus do último CD da cantora, “The Element of Freedom”, é muito mais introspectiva do que aquela que tocou mundo afora, mas ainda assim, consegue ser tão grandiosa quanto ela.

Se Jay-Z e seus versos ágeis nos conduzem pelas ruas, monumentos e espaços mais importantes de Nova York, Alicia Keys parece escancarar de outra forma seu orgulho por pertencer à um dos lugares mais “efervescentes” do mundo. A morena mostra a importância que essa cidade possui na realização de sonhos e como ela pode renovar o espírito das pessoas. De tão bem executada, “Empire State of Mind Pt. II” faz arrepiar até mesmo aquele que nunca sonhou em pisar em Nova York, descrita na letra como o lugar onde tudo pode acontecer.

Miolão

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3 Respostas

  1. adorei esse texto. e digo uma outra coisa: alicia keys foi o começo de uma nova onda na música. saem um pouco de cena as pessoas do marketing-sem-talento (tipo cantorazinhas e o-towns) e volta aquela coisa black music divas com uma pegada mais urbana. foi a partir de alicia keys que houve espaço para a indústria absorver talentos como os que viriam a seguir (joss stone, jennifer hudson, amy winehouse etc)

  2. Achei o texto bem legal, mas ficou faltando falar do “As I Am” hein? =p

  3. […] Momentos: – Arctic Monkeys – Alicia Keys – Pixie Lott – Gwen Stefani – Dido Share this:FacebookTwitterGostar disso:GostoSeja o primeiro a […]

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