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3 Momentos: Gwen Stefani

O mundo pop anda muito chato ultimamente. Mas muito chato mesmo. Você consegue lembrar qual foi o último respiro levemente interessante desse universo que a gente tanto gosta? Levando em consideração esse fato (de que o pop já não é mais o mesmo), o que resta para aqueles que se cansaram de ver moças de cabelo vermelho, meninas sujas ou gente com gengivas avantajadas na TV, é relembrar um tempo em que o visual das estrelas era realmente interessante e a música, normalmente descartável nesse meio, era bastante boa. Convido vocês, senhores e senhoras, a rememorarem comigo um período curioso e, mais do que tudo, delicioso da música pop.

Love. Angel. Music. Baby.”, o debut solo de Gwen Stefani, foi gravado entre 2003 e 2004.  Nessa época, a jovem senhora de 34 anos já era uma das celebridades mais conhecidas e adoradas dos Estados Unidos, tinha uma linha de roupas super estilosa e carregava nas costas o título de frontwoman do No Doubt – a sensacional banda de rock/ska/reggae/dance-hall/punk/pop que, naquele tempo, vivia o auge de sua popularidade em virtude do lançamento de “The Singles 1992 – 2003 – uma coletânea com os principais sucessos do grupo.

Talvez por isso a maioria dos fãs e dos críticos estranhou quando a Gwen Stefani anunciou que lançaria um álbum solo que, segundo a mesma, falaria sobre guilty pleasures. Por mais que Stefani repetisse a torto e a direito que a banda não acabaria, o projeto foi encarado com certa desconfiança e os fãs mais xiitas que idolatravam a postura incandescente e rock’n’roll da garota acabaram estranhando a ruptura de gêneros que Stefani investiu com o primeiro single What You Waiting For? que, não por coincidência, é nosso primeiro e fantástico momento da sessão.

“What You Waiting For?”, 2003.

Sendo o single de estreia, “What You Waiting For? teve a árdua missão de apresentar o novo trabalho, de se mostrar relevante para a música e, obrigatoriamente, ser diferente das coisas que o No Doubt produzia. E o mais bacana é que a música cumpriu tudo isso com uma facilidade impressionante. Produzida por Nellee Hooper, parceiro de longa data de Gwen e do No Doubt,  a música começa muito bem com uma introdução dedilhada tocada no piano e surpreende quando rompe a barreira de gêneros se tornando frenética, urgente e retrô/moderna – tudo ao mesmo tempo. A letra, bem diferente das canções confessionais do No Doubt, escrita por Stefani em parceria com Linda Perry, parece reflexiva e imediata, quase esquizofrênica e revela os anseios de uma popstar que precisa se firmar mesmo após quase 18 anos de carreira.

Essa autoafirmação misturada com dúvidas fica mais explicita no sensacional videoclipe dirigido por Francis Lawrence. Nele, Gwen Stefani, em crise criativa, viaja ao fantástico País das Maravilhas de Lewis Carrol (bem mais “fiel” que o filme de Tim Burton) e reencontra as forças que precisava para se manter viva. Eleita como uma das 50 melhores canções de 2004 pela Rolling Stone e indicada ao Grammy de Melhor Performance Vocal Feminina, “What You Waiting For?” foi só o início do que estava por vir.

“Cool”, 2005.

Cronologicamente falando, “Cool”, o quarto single de L.A.M.B., foi lançado em 2005 após a divertida Rich Girl e da estrondosa Hollaback Girl – maior êxito comercial de Gwen até hoje. Envolvida por um clima nostálgico, “Cool” foi logo apontada como uma continuação direta de Don’t Speak, do No Doubt. Se na letra da música de 1995 Gwen abria seu coração para falar sobre a perda de seu parceiro de banda, namorado e melhor amigo Tony Kanal, agora reanalisava o caso pela ótica otimista de quem conseguiu superar momentos intensos de dor. Contudo, mesmo com todo ar aparentemente “feliz”,  a melancolia presente na canção entrega (perdoem-me se isso soar piegas demais) que mesmo as batalhas superadas deixam marcas indeléveis.

Apresentando uma história tão emocionante quanto a retratada na letra, o belíssimo clipe teve a direção de Sophie Muller, amiga pessoal de Gwen, e foi filmado na Itália. Nele, a vemos – conhecida mundialmente como loira platinada – de cara limpa e cabelos castanhos. Mais estarrecedor que o visual – tanto do clipe como o de Gwen – é a mensagem do vídeo, que demonstra claramente sua intenção com a canção: finalizar de uma vez por todas um importante ponto de sua vida. Nas paradas, o ápice de “Cool” foi a 13ª posição no Hot 100 da Billboard.

“The Sweet Escape”, 2007.

O ano de 2006 foi bastante confuso para Gwen Stefani. Depois do sucesso de “Love. Angel. Music. Baby.” (o disco rendeu seis singles, uma turnê e um DVD), ela decidiu, na última hora, lançar seu sucessor.The Sweet Escape, o disco, contou com a colaboração de um time de primeira que incluiu entre outros nomes The Neptunes, Tony Kanal e Akon, mas mesmo assim ele não conseguiu superar o debut da cantora. Nas palavras de Gwen, o álbum precisava ser lançado pois possuía “algumas faixas maravilhosas que não entraram no L.A.M.B.”. As tais faixas maravilhosas não eram ruins – pelo contrário, algumas até eram mais do que ótimas -, mas não possuíam o frescor de novidade e a energia que permeou todo o primeiro trabalho. “Wind It Up, primeiro e divertido single, teve uma recepção morna por parte do público e fez com que as vendas do disquinho não fossem lá muito altas. Quando tudo parecia ir para o limbo de “ok, próximo”, Stefani lançou a canção título em parceria com Akon e teve um merecido sucesso: ficando mais de 15 semanas no Top 10 da Billboard, ela foi a terceira canção mais popular daquele ano. Tida por muitos como uma das melhores de toda carreira de Gwen, “The Sweet Escapeé pegajosa na medida certa e falava de um jeito bem pontual sobre as possibilidades de um relacionamento dar certo além do desejo constante dos personagens envolvidos serem pessoas melhores por amarem.

No clipe, exageradamente dourado e brilhante, ela foge da cadeia com a ajuda de suas Harajuku Girls para se divertir… Mas depois de 2 horas de perseguição, a moça acaba voltando para de trás das grades.  Dirigido por Joseph Kahn, o vídeo foi indicado a Melhor Colaboração no VMA de 2007, mas acabou perdendo para Beyoncé e Shakira.

A sensação que fica revendo e reavaliando a carreira POP de Gwen é que ela foi curta e quase brilhante. Mesmo nos momentos menos inspirados, Stefani foi melhor e mais interessante que 90% do que rola hoje em dia. Mostrando ter aprendido a lição dada por Madonna e buscando mecanismos [realmente] autênticos, Gwen lançou verdadeiras pérolas da música pop e teve seu nome eternizado nesse mundinho que é, na maioria das vezes, recheado de figurinhas descartáveis.

Miolão

9 Respostas

  1. (isso tuuuudo sem contar que não tem um clipezinho da moça em que ela não está perfeitamente gata. sério. ela tem o melhor corpo do show bizz inteiro! que pernas são essas? e nem parece que já saiu uma criança dessa barriguinha, hahahaha.)

  2. Emocionei com essa homenagem! É lamentável que a carreira solo dela tenha sido tão curta, mesmo antes ter duvidado que poderia ter sido algo brilhante tanto quanto o No Doubt. Pior ainda é ter que esperar ansiosamente e manter as esperanças por algum trabalho novo!
    De qualquer forma parabéns por ter lembrado o talento, a criatividade e singularidade da Gwen!🙂

  3. Belíssima recordação! Muita bem observado! Não que o pop de hoje seja ruim, mas está longe de ser algo mais consistente e vigoroso como foi Gwen Stefani. Sem falar que o clipe de “Cold Winter” é um ahazo! Parabéns pelo texto!

    Ah! Já ouviram um mash up de “Hung Up” da Madonna com “What You Waitting for”? Vale a pena dar uma pesquisa! Fantástico!

  4. Ops! Clipe de “Early Winter”! Que por sinal ela está lindíssima!

  5. Caralho que resenha foda, concordo com tudo que disse.
    Todas, eu disse todas as musicas do LAMB são foda. Tenho ele no topo dos meus albuns-arte favoritos.
    Bem que ela podia lançar uma coletânea com algumas inéditas.

  6. […] quase subliminar é “Cool”, de Gwen Stefani, enquanto a menina pratica patinação no gelo. Já mencionamos aqui como essa letra é bonita, mas vale lembrar: fala sobre um relacionamento cujas feridas […]

  7. […] Momentos: – Arctic Monkeys – Alicia Keys – Pixie Lott – Gwen Stefani – Dido Share this:FacebookTwitterGostar disso:GostoSeja o primeiro a gostar disso […]

  8. crítica maravilhosa, estupenda! A Gwen é ótima em todos os aspectos de sua vida. Foi incrível no início, com No Doubt… fez uma carreira pop memorável e agora irá brilhará com a volta às suas raízes (rock/ska/reggae/dance-hall/punk). Qualquer coisa que ela fizer, tenho certeza que será bem feito e notável, pois ela nasceu pra brilhar!

  9. Já parou para pensar quantas letras foram escritas e depois jogadas foras,sem nenhuma perpectiva de que elas realmente fariam sucesso?
    Pois eu já.E tem mais,a banda No Doubt fez muitas músicas,mas só foram aprovadas pelos críticos,aquelas que trariam algum lucro para as gravadoras.Eu,particurarmente amo a cantora Gwen Stefani,e ainda mais a banda que ela é integrante.Tenho todas as músicas deles,ouso fervorosamente como se fosse um hino,todos os dias.Sou fâ fanática,e sempre admirei a carreira brilhante desses artistas maravilhosos!Queria muito músicas novas deles,ouvir um pouco do momento”atual” deles,que com certeza tem um valor inestimável para mim.Gwen é uma rainha,adoro todos hits.Bâh!em pensar que um dia eu detestava ouvir”cool” e what waiting for?”.Sacanagem,né? Me arrependo por isso.Para esquecer dessa bobagem,não canso um segundo de ouvir “settle down”,a recém tirada do forno,a paixão da minha vida.Se tem uma banda que admiro,e nunca canso,com certeza é no doubt…o resto é injúria!kkk

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