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Homofobia no metal?

Em uma entrevista recente ao San Diego Gay & Lesbian News, Rob Halford, do Judas Priest, falou abertamente sobre sua experiência de se assumir gay em 1998. Ele acredita que o ato ajudou a destruir o mito de que bandas e fãs de metal não podiam aceitar homossexualidade. “Eu acho que fiz algumas pessoas se confrontarem com questões que estavam evitando”, disse o cantor.

O Priest lançou seu primeiro álbum em 1974 e Halford levou 24 anos para conseguir a coragem de se assumir. Nesse tempo, ele saiu do Judas Poriest e voltou cinco anos depois. Ele foi altamente elogiado pela atitude na época e enfrentou poucos problemas desde que voltou à frente da banda, em 2003.

Outros não tiveram tanta sorte. Quando Gaahl, do Gorgoroth, revelou em 2003 que estava em um relacionamento com um homem, ele e seu parceiro receberam inúmeras ameaças de morte. Igual aconteceu com Otep Shamaya quando ela disse que era lésbica, em 2005.

Como gênero, o metal sempre esteve em cheque quando o assunto era tolerância. Não há dúvida de que as coisas mudaram desde os anos 80 – quando Sebastian Bach, do Skid Row, usava blusas escritas “AIDS mata bichas” e Axl Rose admitia que andava de carro por Los Angeles gritando xingamentos aos gays na rua – mas a homofobia ainda está impregnada no gênero musical.

Ainda existe, em casos mais extremos, um desagradável crossover com grupos neofascistas e bandas de black metal, que cantam hinos ao “poder branco”. Isso está acabando, mas a ressaca homofóbica ainda é notável.

É um estranho paradoxo que a música teoricamente adorada pelos incompreendidos, castigados e oprimidos tenha um ponto cego no que diz respeito a aceitar homossexualidade, mas basta notar a linguagem que as bandas usam em suas músicas e entrevistas.

Zakk Wylde sempre rotula bandas que não gosta como “gays”; Kerry King, do Slayer, foi criticar a nova direção do Machine Head e escolheu dizer que Rob Flynn canta “como uma bicha”. Digite qualquer banda de metal no Google e vá até a seção de comentários para ler coisas ainda piores.

A desculpa usada é que isso não significa nada, que não é para ser depreciativo, mas então porque fazer assim? Há uma tonelada de palavras que podiam ser usadas sem nenhuma conotação dessas. Talvez seja um comportamento adquirido, talvez seja só um mau hábito, mas é algo do qual o gênero devia se livrar.

Como Halford disse, as coisas estão melhorando. Membros do Anthrax, Kiss e Guns N’Roses tiraram fotos para a campanha NOH8 [a favor do casamento gay] e há esperança que as atitudes mudem. Mas por enquanto, o nível de tolerância do metal está bem abaixo do que devia estar.

Tom Goodwyn para o NME
Tradução: Gabriel Cadete

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