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Keith Richards: A biografia de um mito vivo

A revista Veja publicou em sua edição desta semana uma divertida entrevista com Keith Richards, guitarrista do Rolling Stones e eterno pai do Capitão Jack Sparrow, de “Piratas do Caribe”. Estarrecida com a (engraçada) ironia do músico, não hesitei em deixar de dividir com vocês a modéstia do ídolo que considera-se um mito vivo.

Com o título “Sou um sujeito família”, a revista Veja, em tom descontraído, leva a conversa com a celebridade que se considera portadora de um sangue imbatível. Richards diz estar limpo e afirma nunca ter tido problemas com drogas, somente com a polícia. Além de suas travessuras no Rolling Stones, Richards leva a vida de uma maneira tranquila e parece lidar com a fama como algo divertido.

Consciente de sua influência mundial, a celebridade já se considera o “mito imortal” e ele próprio resolveu lançar a sua autobiografia, elaborada com a ajuda do jornalista James Fox. “Vida” (“Life”, no original) é bela e rara história de uma celebridade que quer derrubar o próprio mito. Num estilo de prosa que mistura transparência e sarcasmo (especialmente em relação a Mick Jagger, seu parceiro e eterno rival nos Rolling Stones), mostra-se generoso com o público que o idolatra por anos e sincero com seus anos de formação.

O guitarrista oferece detalhes sobre como escreveu as grandes canções da banda, seus inúmeros problemas com drogas, suas mulheres e sua criação em um cubículo no subúrbio londrino de Dartford, após a Segunda Guerra Mundial. Os capítulos de sua infância e adolescência evocam a educação de filho de operários e descrevem situações que lembram maltrapilhos personagens mirins do escritor Charles Dickens. Richards conta ter sido vítima de perseguição na escola (ele tinha uma ratinha a quem deu o nome de Gladys) e que, depois de abandonar o curso de arte, dedicou-se a estudar seus ídolos musicais, como Muddy Waters, Jimmy Reed, Little Walter e Robert Johnson.

Para os que ainda não leram o livro (como eu), não deixem de ver a entrevista na revista Veja, que com certeza desperta uma vontade maior ainda de ler essa obra clássica de um dos poucos mitos vivos da história do rock.

Cínthia Demaria

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